O Guia Definitivo da Manutenção Preventiva

No agronegócio e na construção civil pesada, existe uma métrica que assombra todo gestor de frota: o Downtime (Tempo de Máquina Parada).

Uma colheitadeira quebrada no meio da janela de colheita ou uma escavadeira parada com o caminhão esperando não representam apenas o custo da peça de reposição. O prejuízo real é o lucro cessante, a equipe ociosa, o atraso no cronograma e as multas contratuais.

Estudos da engenharia mecânica apontam para a Regra 1:10:100. Se você gasta R$ 1,00 na preventiva, gastaria R$ 10,00 na corretiva (quando já quebrou) e até R$ 100,00 na falha total (perda do equipamento ou parada crítica).

Neste guia técnico, a Coringa Tractorparts detalha como transformar a manutenção de “gasto” em “investimento”.

1. A Regra de Ouro: Horímetro vs. Tempo Cronológico

Um erro clássico é basear a manutenção apenas no horímetro.

  • Cenário: Um trator trabalhou apenas 100 horas na safra passada e ficou 6 meses parado no galpão. O dono decide não trocar o óleo porque “não deu as horas”.

  • O Erro: Óleos lubrificantes sofrem oxidação natural pelo contato com o oxigênio e a umidade do ar, perdendo suas propriedades aditivas mesmo sem uso. Retentores de borracha ressecam quando não lubrificados.

  • A Solução: Siga sempre o que vencer primeiro: o intervalo de horas (ex: 250h, 500h) ou o tempo (ex: 6 meses), conforme o manual do fabricante.

2. O Checklist Pré-Operacional (Walkaround)

O operador é a primeira linha de defesa. Antes de girar a chave, o “Walkaround” (volta ao redor da máquina) de 10 minutos é obrigatório. Veja o que observar com detalhes técnicos:

A. Fluidos e Níveis (A Frio e em Terreno Plano)

  • Óleo do Motor: Verifique o nível e a viscosidade tátil. Se o óleo estiver “leitado” (cor de café com leite), há contaminação por água (junta queimada ou trocador de calor furado).

  • Arrefecimento: Jamais complete com água de torneira. O cloro corrói o alumínio e gera cavitação nas camisas. Use sempre a proporção correta de aditivo e água desmineralizada. Nível baixando diariamente indica vazamento oculto.

B. O Sistema de Alimentação (Inimigo Nº 1: Água)

O diesel brasileiro contém percentual de biodiesel, que é higroscópico (absorve umidade do ar).

  • Drenagem Diária: O filtro separador (o copo transparente ou com dreno) deve ser purgado toda manhã antes da partida. Água no sistema Common Rail oxida bicos injetores e bombas de alta pressão em questão de dias, gerando prejuízos de milhares de reais.

C. Admissão de Ar (O Pulmão da Máquina)

  • Indicador de Restrição: Confie no indicador do painel ou do filtro.

  • O Perigo do Ar Comprimido: Evite o hábito de “soprar” o filtro de ar com compressor. A alta pressão pode abrir microfissuras invisíveis no papel filtrante. Por essas fendas, a sílica (poeira) entra direto para o motor, agindo como uma lixa nos anéis e camisas. Se o filtro saturou, troque.

D. Pontos de Lubrificação (Pinos e Buchas)

Engraxar não é apenas “colocar graxa”. O objetivo é expurgar a contaminação.

  • Técnica: Injete graxa nova até ver a graxa velha (suja de terra) sair pelas laterais. Isso garante que a areia abrasiva foi expulsa do alojamento, protegendo o pino e a bucha.

E. Material Rodante e Pneus

  • Pneus: Calibragem errada aumenta o consumo de diesel em até 15% (arrasto excessivo) e causa desgaste irregular. Verifique cortes laterais.

  • Esteiras: A tensão deve ser medida regularmente. Esteira muito esticada destrói o cubo redutor e a roda motriz. Esteira frouxa causa desgaste excessivo nos roletes e risco de descarrilhamento.

3. A Inspeção Sensorial: Ouça sua Máquina

O melhor instrumento de diagnóstico é o operador experiente. Incentive sua equipe a relatar:

  • Cheiro: Cheiro de diesel cru? Vazamento de retorno. Cheiro adocicado? Vazamento de fluido de radiador.

  • Som: Um “assobio” diferente na turbina, um “tec-tec” metálico no motor ou um ronco na transmissão são avisos prévios de falha catastrófica.

  • Vibração: Vibrações anormais podem indicar calços de motor quebrados ou cruzetas de cardan prestes a romper.

4. Por que usar Peças de Qualidade?

Na hora da cotação, a diferença de preço entre um filtro paralelo de “fundo de quintal” e um filtro premium (Original/OEM) pode parecer atrativa. Mas essa é a famosa “economia burra”.

  • Um filtro de óleo ruim pode colapsar ou deixar passar partículas que riscam o virabrequim.

  • Um filtro de combustível ineficiente deixa passar contaminantes que travam um bico injetor eletrônico.

A manutenção preventiva só funciona se os insumos (filtros, óleos, graxas e peças de desgaste) tiverem procedência garantida.

Conclusão

Máquina parada não paga conta. Implementar uma cultura rigorosa de manutenção preventiva aumenta a Disponibilidade Mecânica da sua frota e valoriza o ativo na hora da revenda. Um trator com histórico de manutenção comprovado vale muito mais no mercado.


Não espere a luz de alerta acender. Na Coringa Tractorparts, nós montamos o Kit de Revisão Personalizado para sua máquina (filtros, óleos e itens de desgaste) com as melhores marcas do mercado.

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